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 Publicado em 12 de agosto de 2026 por Redação

Em julho, custo da cesta básica diminui em 26 capitais mostra pesquisa feita pelo Dieese

Em julho, custo da cesta básica diminui em 26 capitais mostra pesquisa feita pelo Dieese
 Publicado em 12 de agosto de 2026 por Redação

Em 2024, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) firmaram parceria para
acompanhamento dos preços da cesta básica de alimentos, como contribuição à Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e à Política Nacional de Abastecimento Alimentar.
Um dos frutos da parceria foi a ampliação da coleta de preços de 17 para 27 capitais
brasileiras. Os resultados das 27 cidades começaram a ser divulgados em agosto de 2025.
O valor do conjunto dos alimentos básicos diminuiu em 26 das 27 capitais brasileiras, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada mensalmente pelo DIEESE em parceria com a Conab. Entre junho e julho de 2026, as quedas mais importantes ocorreram em Natal (-7,95%), Maceió (-7,87%), Belo Horizonte (-7,44%), Palmas (-7,38%), Rio de Janeiro (-7,12%), Brasília (-6,71%), João Pessoa (-6,65%), Salvador (-6,59%), Fortaleza (-6,39%), Florianópolis (-6,28%) e Cuiabá (-6,04%). A única alta foi registrada em São Luís, 0,30%.
São Paulo foi a capital onde o conjunto dos alimentos básicos apresentou o maior custo (R$ 915,01), seguida por Cuiabá (R$ 881,27), Florianópolis (R$ 860,73) e Rio de Janeiro (R$ 855,37). Nas cidades do Norte e Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 594,07), Maceió (R$ 618,60), Natal (R$ 631,51) e João Pessoa (R$ 644,04).
A comparação dos valores da cesta, entre julho de 2025 e julho de 2026, mostrou que o custo aumentou em 22 capitais e caiu em outras cinco. As altas variaram entre 0,74%, em Recife, e 8,33%, em Cuiabá. As quedas mais expressivas ocorreram em Natal (-2,26%), Brasília (-1,46%) e São Luís (-1,18%).
No acumulado de janeiro a julho de 2026, as 27 capitais registraram alta nos preços da cesta básica, com variações que oscilaram entre 4,28%, em Campo Grande, e 15,68%, em Porto Velho.
Com base na cesta mais cara, que, em julho, foi a de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o DIEESE estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em julho de 2026, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.687,01 ou 4,74 vezes o mínimo reajustado em R$ 1.621,00. Em junho, o valor necessário era de R$ 8.110,92 e correspondeu a 5 vezes o piso mínimo. Em julho de 2025, o mínimo necessário deveria ter ficado em R$ 7.274,43 ou 4,79 vezes o valor vigente na época, que era de R$ 1.518,00.

Cesta x salário mínimo
Em julho de 2026, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica nas 27 capitais pesquisadas foi de 100 horas e 24 minutos, menor do que o registrado em junho, quando ficou em 105 horas e 51 minutos. Já em julho de 2025, a jornada média foi de 103 horas e 40 minutos.
Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto de 7,5% referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em média, nas 27 capitais pesquisadas em julho de 2026, 49,34% do rendimento para adquirir os produtos alimentícios básicos e, em junho, 52,02% da renda líquida. Em julho de 2025, o percentual médio ficou em 50,94%.

Principais variações dos preços dos produtos da cesta
Entre junho e julho de 2026, o valor do quilo da batata diminuiu em todas as cidades do Centro-Sul, onde é pesquisada. As quedas variaram entre -31,12%, em Brasília, e -15,55%, em Cuiabá. No acumulado de 12 meses, o valor da batata aumentou em todas as 11 capitais. As elevações ficaram entre 36,54%, em São Paulo, e 71,92%, em Belo Horizonte. A elevada oferta do tubérculo, consequência da intensificação da safra de inverno e da melhora na produtividade, levou à desvalorização do produto no varejo.
O preço do quilo do tomate aumentou apenas em São Luís (0,28%). Nas demais capitais, houve queda do valor médio com variações entre -51,88%, em Maceió, e -2,99%, em Macapá. No acumulado de 12 meses, o preço diminuiu em 21 capitais, com variações mais expressivas em Maceió (-40,90%) e Natal (-40,03%). As maiores altas foram registradas em Macapá (19,80%), Porto Velho (7,20%) e Rio Branco (6,61%). A maior produtividade, as regiões em plena safra e temperaturas diurnas mais elevadas, apesar do frio, favoreceram a maturação dos frutos, o que elevou a oferta.
O preço do café em pó ficou menor em 23 capitais. As principais reduções foram observadas em Campo Grande (-5,19%) e Aracaju (-3,74%). Houve aumento em quatro cidades: Rio de Janeiro (0,74%), Palmas (0,73%), Goiânia (0,68%) e Recife (0,29%). No acumulado de 12 meses, apenas São Luís (3,43%) apresentou alta no valor médio do café. Houve redução em 26 capitais, com destaque para Rio de Janeiro (-22,40%), Brasília (-22,35%) e Curitiba (-21,90%). O mercado de café registrou forte volatilidade: de um lado, as altas foram sustentadas pelas preocupações com o clima, pelo atraso da colheita da safra 2026/2027 no Brasil e pelas incertezas quanto à qualidade dos grãos; de outro, as baixas nos preços foram consequência da expectativa de recorde histórico na produção mundial e da redução das exportações. No varejo da maior parte das capitais, predominou a queda dos preços.
O preço do açúcar diminuiu em 20 capitais, com percentuais entre -7,54%, em Campo Grande, e -0,57%, em Aracaju. A alta, registrada em sete cidades, foi maior em Macapá (7,53%). No acumulado de 12 meses, o preço caiu em todas as capitais, com variações entre -33,94%, em Belém, e -4,91%, em São Luís. O grande volume colhido de cana-de açúcar pode explicar a queda de valores no varejo.
O valor do quilo da carne bovina de primeira apresentou comportamento variado entre junho e julho de 2026, com elevação em 12 cidades, entre as quais destacam-se Aracaju (2,15%) e Boa Vista, (2,10%). Em Porto Alegre, o preço se manteve estável, enquanto 14 cidades registraram reduções, que ficaram entre -2,94%, em Florianópolis, e -0,09%, em Brasília. Em 12 meses, o preço da carne bovina de primeira aumentou em todos os municípios cobertos pelo levantamento, com elevações entre 1,42%, em Brasília, e 19,09%, em Rio Branco. De um lado, a oferta de animais prontos para abate foi mais restrita e as exportações apresentaram bom desempenho, mas, de outro, os altos patamares de valores praticados no varejo e a menor demanda não permitiram repasse total para os preços, o que justifica o comportamento diferenciado.
Entre junho e julho de 2026, o valor do quilo do feijão aumentou em 17 capitais e diminuiu em outras 10. O grão preto, pesquisado nos municípios do Sul, no Rio de Janeiro e em Vitória, apresentou alta em todas os locais onde é coletado. Os percentuais ficaram entre 1,84%, em Vitória, e 7,42%, em Curitiba. Em 12 meses, houve elevação em todas as capitais, com percentuais entre 9,97%, em Florianópolis, e 24,57%, em Vitória. Já o tipo carioca, cujo valor é coletado no Norte, Nordeste, Centro-Oeste e nas cidades de São Paulo e Belo Horizonte, apresentou aumento em 12 capitais. As maiores variações foram registradas em Palmas (5,49%), Boa Vista (5,25%) e Manaus (4,22%). As quedas foram observadas em 10 capitais, com destaque para Belo Horizonte (-9,08%), Campo Grande (-7,91%) e João Pessoa (-3,93%). Em 12 meses, o grão carioca apresentou alta em todas as capitais, com percentuais entre 11,58%, em São Luís, e 77,46%, em Goiânia. A maior oferta de grão carioca, com o avanço da colheita, e a oferta restrita do tipo preto, decorrente das perdas registradas na segunda safra da região Sul, são o motivo do resultado diferenciado no varejo.
O preço do leite integral subiu em 21 capitais, com altas entre 0,25%, em Belém, e 6,27%, em Boa Vista. Houve queda em seis cidades, a mais expressiva em Campo Grande (-2,41%). Em 12 meses, o preço aumentou em 25 capitais, com destaque para Salvador (13,80%) e Aracaju (13,53%). Houve queda em dois municípios: Campo Grande (-0,25%) e Macapá (-0,49%). Houve desaceleração do ritmo de produção da matéria-prima, devido às baixas temperaturas registradas no campo, o que sustentou as cotações do leite UHT

Fonte: Dieese.org.br

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