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 Publicado em 23 de abril de 2024 por Redação

Precisamos de um reforma tributária progressiva para reduzir desigualdades

Precisamos de um reforma tributária progressiva para reduzir desigualdades
 Publicado em 23 de abril de 2024 por Redação

O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, fenômeno que está na raiz da violência que perturba e apavora nosso povo.
No Relatório de Desenvolvimento Humano 2021/2022, da ONU, o país figurava em 14º lugar no ranking global das desigualdades sociais, ao lado do Congo. Com exceção da Colômbia e do Panamá, está em pior situação do que todos as nações latino-americanos.
Uma vergonha, produzida e reproduzida diuturnamente pelas classes dominantes, que se comportam como vira-latas perante o imperialismo ao mesmo tempo em que são furiosamente hostis a reformas sociais essenciais, entre elas a agrária e a tributária com critério progressivo.
A política de valorização do salário mínimo, associado ao Bolsa Família e outras medidas adotadas pelo governo Lula, aliviaram o drama, que todavia ainda é gritante, escandaloso.
Estatísticas divulgadas nesta sexta-feira pelo IBGE revelam que em 2023 o rendimento médio das pessoas que compõem o grupo dos 1% mais ricos do Brasil correspondia a 39,2 vezes o rendimento daqueles que integram o grupo dos 40% mais pobres.
Entre as causas deste mal maior da nossa pátria amada destaca-se a distribuição regressiva da carga tributária, que recai sobretudo sobre os ombros e bolsos dos pobres.
Na faixa de pessoas que recebem mais de 240 salários-mínimos mensais, cerca de 71% dos seus rendimentos são classificados como “renda isenta e não tributável”, de acordo com levantamento realizado pelo Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco).
Acionistas poderosos que recebem dividendos milionários não pagam impostos pelos valores que auferem sem nada produzir, em contraposição aos assalariados que têm a renda mordida e reduzida pelo Leão na fonte.
Para reduzir as desigualdades é indispensável realizar uma reforma tributária progressiva que possa inverter a atual situação, tributando mais os ricos e desonerando os pobres, assim como aumentando os impostos diretos e diminuindo os indiretos.
De um lado, isto pode ser feito através de medidas como a taxação das grandes fortunas, dos dividendos, das remessas de lucros ao exterior pelas multinacionais e aumento do imposto sobre as grandes heranças que reproduzem e ampliam as desigualdades.
De outro, é fundamental isentar os produtos que compõem a cesta básica, de forma a elevar o poder de compra dos salários.
Em março de 2024, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica foi de 108 horas e 26 minutos para milhões de trabalhadores que ganham o salário mínimo.
Destaca-se também neste sentido a necessidade de redefinir a tabela e as alíquotas do Imposto de Renda da Pessoa Física, descontado compulsoriamente dos salários.
O governo Lula vem dando passos positivos nesta direção, já isentou do IRPF trabalhadores e trabalhadoras que recebem até dois salários mínimos e reiterou o compromisso de ampliar a faixa de isenção a quem ganha até R$ 5 mil.
É necessário também corrigir a defasagem da tabela e criar novas alíquotas para onerar os salários mais altos e reduzir a carga incidente sobre quem recebe menos.
A reforma tributária progressiva é uma bandeira de luta prioritária da CTB e das outras centrais sindicais, cuja concretização requer ampla mobilização popular.

Por Adilson Araújo
Presidente da CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil

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