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 Publicado em 22 de agosto de 2026 por Redação

Polícia Federal investiga “maquiagem contábil” da Casas Bahia para reduzir bônus

Polícia Federal investiga “maquiagem contábil” da Casas Bahia para reduzir bônus
 Publicado em 22 de agosto de 2026 por Redação

A Polícia Federal (PF) investiga uma possível “maquiagem contábil” da Casas Bahia em uma apuração que busca identificar se a gigante do varejo alterou dados financeiros para reduzir ou evitar o pagamento de bônus e premiações a gerentes de lojas.
O foco da investigação recai sobre o sistema de metas da companhia, que usa o faturamento das unidades como base para calcular a remuneração variável dos funcionários.
A investigação ocorre em meio ao fechamento de quase 300 lojas da varejista em agosto e ao pedido de recuperação judicial apresentado ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
Elementos que embasam a suspeita inicial indicam que a empresa pode ter omitido os juros de vendas parceladas dos relatórios de desempenho, contabilizando apenas o “valor à vista” dos produtos.
Segundo investigadores, a apuração deve avançar sobre a forma como a empresa teria usado sua própria infraestrutura tecnológica para produzir números que não refletiriam integralmente o faturamento das vendas.
Entre os sistemas internos sob análise, estão o PRWEB e o Looqbox, ferramentas utilizadas no acompanhamento de metas relacionadas a mercantil, móveis, serviços e crédito próprio da empresa.
A suspeita é de que os sistemas tenham sido usados para excluir juros e encargos das vendas parceladas dos relatórios de faturamento das lojas, reduzindo, consequentemente, a base utilizada para calcular bônus pagos aos gerentes.
Os investigadores já reuniram documentos que podem auxiliar na apuração. Há relatos de gerentes que afirmam não terem recebido integralmente as premiações e que, ao questionarem a companhia, teriam sido informados de que os juros cobrados nos carnês pertenciam a bancos parceiros.
A PF, porém, dispõe de ofícios do Banco Central e do Bradesco que, segundo a investigação, contradizem essa versão: os documentos indicariam que a própria Casas Bahia era responsável pelas operações de crédito e que a parceria com o banco não abrangia o crediário por carnê.
A PF investiga, a partir desses elementos, a possível ocorrência de fraude ou falsificação. Os investigadores também apuram se a prática teria alcance mais amplo, diante do uso dos mesmos sistemas internos por lojas da companhia em diferentes regiões do país.

Dívida
Ao todo, a empresa tenta renegociar dívidas estimadas em R$ 17,3 bilhões. O plano de reestruturação, conforme mostrou o Metrópoles, prevê o fechamento de 298 lojas e a demissão de 1,9 mil a 3 mil funcionários.
Atualmente, a companhia conta com proteção temporária contra credores enquanto aguarda a análise do pedido de recuperação judicial, protocolado no domingo (16/8).
Além disso, por decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10), as demissões coletivas da empresa estão suspensas.

Manoela Alcântara com Pablo Giovanni/Metrópoles

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